Lindo, imponente, potente, brilhoso.
Trezentos e setenta lâmpadas de puro vidro translúcido e cristalino.
Quando aceso, admirável.
Iluminava toda aquela escuridão com sua luz interior.
Chegava a lacrimejar os olhos involuntariamente afixados.
Era o maior da casa.
A dona de casa tira a poeira, limpa o tapete.
Varre, passa pano no piso amadeirado original de sei lá quantos séculos atrás.
Assim que termina, por uma questão de segundos, ao sair do espaço o teto cai.
Sente o vento forte logo atrás de si, tocando em suas costas.
- Você "tá" bem?
- Menina, eu acabei de sair daí. Por uma questão de segundos ia cair tudo na minha cabeça!
Engraçado que até pra cair escolheu o piso limpo e cheiroso.
Trezentos e setenta lâmpadas agora eram alguns milhares de estilhaços.
De puro vidro translúcido cortante e cristalinamente perigoso.
- Ainda bem que saí a tempo, eu ia morrer...
- Mas, finalmente, o que houve?
- O teto caiu.
Caiu.
Depois de todos esses anos, não aguentou mais o peso do lustre.

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